Protecção Integrada do Olival

A Protecção Integrada é um processo de luta contra os organismos nocivos das culturas utilizando um conjunto de métodos que satisfaçam as exigências económicas, ecológicas e toxicológicas e dando carácter prioritário às acções fomentando a limitação natural dos inimigos das culturas e respeitando os níveis económicos de ataque, isto é, níveis de intensidade de ataque a partir dos quais a cultura corre o risco de sofrer prejuízos superiores aos custos das medidas de luta a adoptar.

Em Protecção Integrada só devem ser utilizados produtos fitofarmacêuticos que satisfaçam determinadas condições sobre os seus efeitos secundários, nomeadamente a classificação toxicológica relativamente ao homem, toxicidade sobre os principais grupos de auxiliares, persistência, mobilidade no solo e qualidade dos produtos alimentares.

A AJASUL foi reconhecida para a prática da Protecção Integrada do Olival no Alentejo em 14/4/2003 através do despacho nº 8648/2003. Durante o ano de 2005 a AJASUL apresentou à Direcção Geral de Protecção das Culturas (DGPC) os seus dossiers de candidatura à Produção Integrada do Olival no Alentejo e à Protecção Integrada do Olival no Algarve. Ambas as Direcções Regionais de Agricultura (Alentejo e Algarve) emitiram os seus pareceres favoráveis aguardando-se a todo o momento o reconhecimento.

Mas afinal, o que é a Protecção Integrada e qual o seu interesse para os agricultores?
A protecção Integrada é antes de mais, um modo de produção que assenta num pressuposto fundamental que é, o de só tratar a cultura, neste caso o Olival, apenas e só quando se atinge o chamado Nível Económico de Ataque (NEA). Este NEA é definido pela Direcção Geral de Protecção das Culturas (DGPC) para cada cultura e para cada praga ou doença, como um nível de presença, e consequentes estragos provocados, a partir do qual se torna economicamente favorável proceder ao tratamento. Para além deste aspecto, a Protecção Integrada, privilegia sempre os métodos de luta cultural, biotécnica, a utilização de auxiliares (insectos predadores das pragas) e só em último caso se recorre à luta química. Para a luta química, está publicada uma lista de produtos, (por norma menos nocivos do que os habituais) homologados para a Protecção Integrada, pelo que estes e só estes podem ser utilizados. Quais as vantagens deste método? Em primeiro lugar o agricultor recebe um acompanhamento técnico, que inclui uma série de visitas ao olival, para o observar, e realizar determinadas contagens das pragas chave. Ao longo deste acompanhamento técnico, o agricultor vai sendo, aconselhando e quando se atinge o NEA para cada praga, o técnico recomenda que se faça o tratamento, explica como deve realizar o tratamento, que produto se deve usar, quais as doses a aplicar.

Para além deste aspecto, a protecção integrada do olival é uma das medidas agro-ambientais às quais o agricultor se pode candidatar e usufruir de uma ajuda complementar e independente da ajuda à produção de azeite ou azeitona de mesa. Para se candidatar a esta ajuda (por um período de 5 anos) o agricultor terá de ter mais de 0,5 ha de olival com uma densidade superior a 61 árvores/ha, terá ainda de celebrar um contrato de prestação de serviços com uma associação reconhecida pelo Ministério da Agricultura do Desenvolvimento Rural e das Pescas (MADRP), como é o caso da AJASUL. Os valores a receber pelo agricultor são variáveis conforme o nº de hectares candidato. Para os 5 primeiros ha (de 0 a 5 ha), o agricultor recebe 147 €/ha, para os seguintes 5 ha (de 5 a 10 ha), recebe 118 €/ha, para os 15 ha seguintes (dos 10 aos 25 ha) recebe 88 €/ha. Acima dos 25 ha, o olivicultor recebe 59 €/ha. A acrescentar a tudo isto há uma majoração de 20% nos pagamentos dos dois primeiros anos de contrato. Nos terceiro, quarto e quinto anos o agricultor só pode beneficiar desta majoração se comercializar uma quantidade mínima da sua produção como proveniente da Protecção Integrada. O destino da azeitona colhida deverá ser um lagar ou empresa transformadora que esteja sujeita a uma certificação por um Organismo Privado de Controlo (OPC).

Com a Protecção Integrada o ambiente também sai beneficiado, pois em vez de doses maciças de produtos altamente perigosos, usados muitas vezes na chamada “luta cega”, sem qualquer razão aparente a não ser por ser a “época dos tratamentos”, o agricultor utilizando a Protecção Integrada apenas terá de tratar quando o ataque de determinado inimigo se justifica do ponto de vista do impacto dos prejuízos causados, e sempre com produtos “menos” tóxicos para todo o ambiente, onde se incluem, claro está, os organismos auxiliares e toda a fauna bravia existente.

O lagar também tem algo mais a ganhar com esta prática, pois se dispuser de azeitona mais sã, isto é menos picada pela mosca da azeitona e menos atacada pela gafa, o resultado será um produto final com melhor qualidade, menor acidez, mais estabilidade, melhor sabor, melhores características organolépticas, em suma, sem defeitos, podendo vir até a aproveitar este facto e esta prática da Protecção Integrada em termos de marketing do seu produto final, desde que devidamente certificado como tal, e com isso poder obter uma mais-valia, ou uma diferenciação positiva do seu produto face aos demais concorrentes, num mercado tão difícil, e exigente, mas simultaneamente com um bom potencial de crescimento.

Desde que fomos reconhecidos para a prática da Protecção Integrada temos vindo a aumentar significativamente a área à qual prestamos apoio técnico. Assim neste momento damos apoio técnico a 76 agricultores, aos quais corresponderam 2050,39 ha de olival. Este olival encontra-se espalhado em todos os distritos do Alentejo, sendo mais representativo o Distrito de Évora com 1181 ha (57,21%), segue-se o Distrito de Beja, 686 ha (33,2%), o de Portalegre com 194 ha (9,4%) e finalmente o de Setúbal com 3,00 ha (0,1%). O Concelho mais representativo é o Concelho de Moura com 578 ha (27,9%). Dos contratos realizados, sabemos que o maior produtor tem 196,08 ha contratados e o menor 0,52 ha. O olival médio tem cerca de 26,98 ha. Para dar apoio técnico a estes produtores, contamos com 5 técnicos, que repartem entre si um número de explorações que varia entre as 5 e as 22 às quais corresponde uma área média de aproximadamente 410 ha por técnico. Nos seguintes gráficos podemos observar como variou a área contratada e o nº de agricultores entre os anos de 2003 e 2005.

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