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Agricultura: Após 2013 uns temem diminuição dos fundos e outros acreditam no futuro mesmo sem financiamento

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O quadro comunitário após 2013, que está a ser definido, vai introduzir alterações nos apoios à agricultura portuguesa e enquanto uns temem uma diminuição das ajudas outros acreditam que, mesmo sem financiamento, o sector se transformará num negócio rentável.

A União Europeia (UE) debate neste momento a chamada estratégia 20/20, que será introduzida após 2013 até 2020.

 

José Martino, administrador da Espaço Visual, uma empresa de consultoria e elaboração de projectos agrícolas e agroindustriais, acredita que a agricultura portuguesa “tem futuro” mesmo sem apoios comunitários.

“Gerou-se uma ideia que só se podem fazer investimentos na agricultura com apoios. Essa ideia é falsa. Porque só pode fazer investimentos quem tem dinheiro e capacidade financeira para os fazer”, salientou.

O responsável acrescentou que o agricultor precisa sempre de ter capitais próprios, um fundo de maneio, para desenvolver a actividade.

“Quando terminarem, os fundos europeus, os investidores continuarão a investir na agricultura até porque com a crise actual, com a previsão da subida dos preços das produções agrícola, a agricultura ir-se-á tornar um negócio cada vez mais interessante e rentável”, sublinhou.

Na sua opinião, o que vai mudar é a visão que se tem da agricultura, que vai passar a ser vista mais como um negócio, como uma actividade voltada para o mercado e para a produção de bens públicos, enquanto que hoje é vista mais como uma actividade social”, afirmou.

Por sua vez, Firmino Cordeiro, presidente da Associação de Jovens Agricultores de Portugal (AJAP), diz não acreditar no fim das ajudas comunitárias ou a agricultura nacional “reduzir-se-ia muito mais”.

Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), entre 1999 e 2009, o país perdeu uma em cada quatro explorações agrícolas e perdeu ainda 110 mil agricultores.

“Ou seja, a agricultura portuguesa está a perder terreno a cada ano que passa, mesmo com apoios, agora imagine-se sem apoios”, sublinhou.

Armando Carvalho, dirigente da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), teme uma diminuição dos apoios comunitários para a agricultura portuguesa.

Até porque, acrescentou, o orçamento comunitário para o sector se tem mantido apesar do aumento do número de países que integram a UE e consequentemente do número de agricultores e de área agrícola.

A palavra chave para o futuro parece ser a “competitividade” pelo que o responsável considera que a agricultura familiar poderá vir a ser “marginalizada” na futura Política Agrícola Comum (PAC).

Como aspecto positivo da reforma da PAC, Armando Carvalho destaca o fim das ajudas desligadas da produção.

“O resultado desta política até agora foi o aumento do défice agroalimentar e o abandono das terras”, salientou.

José Martino concorda. “Não se podem continuar a meter milhões e milhões de euros na agricultura e não haver crescimento do produto, não haver substituição de importações por produções nacionais nem um incremento forte das exportações”, frisou.

Fonte: Lusa

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